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1 da manhã

A claridade da tela do meu celular incomoda meus olhos inchados e ardentes de tantas lagrimas que eu derramei, assim como o céu chora todos os dias naquele vilarejo no noroeste da Índia. Estou aceitando as palavras amargas que meu peito quer liberar, porque a vida é assim, feita de aceitações. E estou em processo ainda sobre você não estar mais do meu lado, sobre eu não ter mais seu ombro pra eu poder deitar minha cabeça, ou sua mão na minha nuca acariciando a pouca existência de cabelo naquele local. Estou aceitando ainda, e isso dói. E queima. Como o inferno em brasa. Mas é um processo de aceitação e eu sei que quando isso passar vai ser uma marca de ferro quente na minha pele.
 Sempre gostei de dizer as horas ou datas para registrar, e agora é 1 da manhã. Faz poucos dias desde que eu te vi, mas sua imagem sorrindo tá tão viva e fresca na minha memória, que causa um reboliço no meu estômago. Sinto falta do encontro da minha boca na sua, e do encontro da minha boca do seu pescoço. Sinto falta do nosso encontro. Quando posso te ver de novo? Sempre me senti seguro nas minhas palavras escritas e ditas, mas agora, a insegurança ta me dominando que até o meu "bom dia" ta saindo com ar desconfiado e recluso. Olho pro meu violão abandonado no canto esquerdo do meu quarto e como eu queria te cantar aquela canção que eu nem aprendi, mas que te deixa tão viva na minha mente. No quanto esquerdo. No canto direito da sua mão esquerda tem aquela cicatriz que você tanto odeia, mas que te deixa tão forte e viva, e eu poderia beija-lá todos os dias da minha vida.
 Desculpa se ultimamente minhas palavras andam chegando destorcidas até você. Sinto que Katrina fez uma passagem devastadora dentro de mim.

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