Você tinha uma pequena cicatriz na mão esquerda. Era realmente pequena, daquelas que a gente costuma perceber apenas quando nos mostram. Mas eu percebi, distraidamente enquanto você levava o copo até a boca, eu percebi. Dei-me conta que você nunca havia me contado sobre ela. Quis saber quando foi, quantos anos você tinha, se sentiu muita dor, se os seus pais saíram desesperados para o médico e se você ainda sentia algo nela por menos que fosse. Eu fiquei enlouquecido pela simples história da sua cicatriz na mão esquerda que ninguém repara. Respirei fundo e comecei a entender que querer muito o outro é isso, é querer saber os pontos mínimos das cicatrizes mais invisíveis. Há detalhes que só o amor enxerga.
Eu sabia que tinha algo de errado no momento em que meu shorts escorregou do meu corpo quando eu sai do banho naquela noite, todas as vezes que minha irmã brincará comigo falando que eu estava emagrecendo ou a preocupação da minha mãe na ultima vez que nos vimos pelo osso do meu peitoral estar começando a aparecer mais e quando meu pai pediu pra eu forçar mais em todas as refeições que eu deixava mais da metade do prato de lado começaram a fazer sentido na minha mente. Entrei no quarto fechando a porta logo em seguida me certificando que aquele shorts era realmente o qual comprei recentemente - sempre tive mania de comprar roupas de dormir em números justos ao meu corpo por saber que iria demorar para atualizar tais vestimentos - a etiqueta de preço estava pendurada na peça indicando que era a certa. Os problemas começaram a esquentar quando em um exame de sangue feito recentemente - e obrigado pelo meu pai - gritou em letras vermelhas uma forte anemia, e o olhar preocupado do médico ...
Comentários
Postar um comentário